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sexta-feira, 30 de março de 2012

Seminário Lideranças Partilhadas: Percursos de literacia para a igualdade de género e qualidade de vida

Após um intenso período de trabalho, estamos próximas da conclusão do nosso projeto. 

Em parceria com o Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e as demais entidades colaboradoras, organizámos o seminário final do projeto, Lideranças Partilhadas: Percursos de literacia para a igualdade de género e qualidade de vida, que decorreu no dia 29 de março de 2012, no Auditório 1 da FPCEUP.

Este seminário, para além de promover a reflexão sobre o diversificado trabalho desenvolvido, pretendeu fazer a apresentação e disseminação dos produtos do projeto e perspetivar formas de continuação da ação de sensibilização iniciada, através da manutenção das redes parceiras construídas em prol da igualdade.

Contou com a participação de vários membros das equipas do projeto: a equipa coordenadora, a equipa técnica, a equipa de dinamização, a equipa de avaliação externa; e de várias pessoas participantes nas diferentes atividades desenvolvidas ao longo de 25 meses de trabalho. As palavras de reconhecimento transmitidas pelas entidades parceiras, cidadãos e cidadãs em geral, tornaram-se num estímulo para continuarmos a elaborar novas propostas de literacia em igualdade de género e qualidade de vida.    


































quinta-feira, 29 de março de 2012

Livro "Lideranças Partilhadas. Percursos de Literacia para a Igualdade de Género e Qualidade de Vida"

A presente publicação resulta do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto Literacia para a Igualdade de Género e Qualidade de Vida: Lideranças Partilhadas da Fundação Cuidar O Futuro.

Durante dois anos, este projeto visou mobilizar a sociedade civil no empoderamento de comunidades, introduzindo a perspetiva da igualdade de género na abordagem ao desenvolvimento e à qualidade de vida das populações. Pretendeu-se desenvolver um olhar crítico na reformulação de lideranças a partir das representações de participação e de responsabilidade partilhadas entre homens e mulheres nos espaços público e privado, através da construção de percursos diversificados de literacia com profissionais de intervenção socioeducativa, líderes locais, profissionais em lugares de tomada de decisão e cidadãos e cidadãs em geral.

Esta publicação reúne contributos de mulheres e homens que participaram de formas diversas nos percursos realizados: como representantes de organizações parceiras e codinamizadoras ou dinamizadores dos workshops; como facilitadoras (parcerias transnacionais) no processo de reflexão das equipas do projeto e de dinamização; como participantes nos workshops; como avaliadoras externas ou ainda como membros da equipa do projeto.

De sublinhar também o contributo da oradora sueca convidada para proferir a conferência sobre Consciência cívica enquanto forma moderna de solidariedade social, realizada já na fase final do projeto, servindo de semente de e para o futuro.

Os textos demonstram a pluralidade de vozes que se cruzaram neste percurso de literacia para a liderança, na dupla perspetiva de igualdade de género e de qualidade de vida. Para além da informação sobre a ação realizada neste projeto, nalguns deles encontra-se também informação sobre a investigação realizada no âmbito do Programa de Investigação e Intervenção da Fundação Cuidar O Futuro, onde foi preparado o “chão de partida” para a conceção deste projeto.

No intuito de encontrar uma certa lógica, embora que difusa, optou-se por reunir os textos em três capítulos.

O capítulo À PROCURA DE UM CHÃO DE PARTIDA. CONTRIBUTOS IMPULSIONADORES agrega os textos que sustentaram o projeto Literacia para a Igualdade de Género e Qualidade de Vida: Lideranças Partilhadas, quer na formação da equipa, quer na preparação do grupo alargado de dinamizadoras e dinamizadores.

Em Lideranças Partilhadas. A caminho de um novo paradigma? Marijke de Koning dá voltas nómadas através de percursos de literacia para a liderança de mulheres realizados no âmbito da Fundação Cuidar O Futuro, desde 2004, no intuito de sistematizar e problematizar a experiência de investigação-ação e a metodologia utilizada. O próprio processo de liderança da equipa do projeto é objeto de reflexão, bem como a viabilidade de lideranças partilhadas.

Em Reflexões sobre literacia de mulheres para a liderança, a viagem de uma amizade, Ine van Emmerik explora o desenvolvimento da liderança das mulheres como um caminho circular, com base na imagem do zigurate introduzida por Maria de Lourdes Pintasilgo.

Em Espaço em branco, intervisão e agência partilhada, Ine van Emmerik aborda o espaço em branco enquanto lugar que fica na transição entre a ordem e a surpresa, onde se propicia o aprender no encontro, na intervisão e no confronto com a alteridade para atingir uma agência partilhada.

No texto Vitamina C para comunidades. Comunicación como arte y arte como comunicación, Jeannette Claessen une comunicação a arte comunitária no sentido do desenvolvimento da comunidade visando a redução de riscos sociais através de uma autêntica participação das pessoas.

O capítulo QUESTIONANDO PRÁTICAS, CRUZANDO TRAJETOS reúne os textos que aprumam posturas desafiadoras de questionamento da teoria ao serviço das práticas

Em Consciência cívica enquanto forma moderna de solidariedade social, Kerstin Jacobsson introduz as noções de consciência cívica e de co-sentimento cívico enquanto categorias sociológicas, abordando a combinação específica de individualismo e coletivismo característica da cultura cívica sueca para conceptualizar os laços sociais e os mecanismos de integração e solidariedade sociais na Suécia contemporânea.

Em Produzir conhecimento a partir das pessoas, Teresa Toldy analisa os desafios colocados pela crítica feminista à produção de discursos de mulheres para mulheres, nomeadamente os desafios colocados à palavra por silêncios que se constituem como formas de resistência ao discurso regulador.

Hugo Monteiro, no texto Diálogo, investigação e emancipação: percursos partilhados, parte da noção de diálogo como abertura ao outro e emancipação pessoal e social que faculta vias complexas e partilhadas de significação e descoberta, para ensaiar interrogar o alcance metodológico sugerido na expressão aprendizagem pela conversa e questionar o conceito de lideranças partilhadas.

Em Conversa(s) sobre qualidade de vida e trabalho social: do desenvolvimento pessoal ao desenvolvimento social significativo, Liliana Lopes conceptualiza a qualidade de vida enquanto desenvolvimento pessoal e social para refletir sobre o papel desempenhado por trabalhadoras e trabalhadores sociais na promoção da melhoria sustentada da qualidade de vida das populações, abordando as tensões dialéticas surgidas nos worshops do projeto.

No texto Ideias a desconstruir ou a reinventar: questionando percursos tradicionais de liderança de mulheres e de homens, Cláudia Múrias e Raquel Ribeiro procuram constituir o percurso de literacia para a igualdade de género da equipa coordenadora do projeto, enquadrando ainda, resumidamente, a proposta de igualdade de género subjacente ao mesmo.

Em Aprender pela conversa: assim como e depois?, Eunice Macedo e Amélia Macedo questionam a aprendizagem pela conversa enquanto instrumento de lideranças partilhadas para a construção de literacia, igualdade de género e qualidade de vida, recorrendo às observações efetuadas sobre os workshops do projeto e aos conceitos de voz de Arnot e de democracia inclusiva de Young.

O capítulo ANCORANDO EXPERIENCIAS PLURAIS: REFLEXÕES A PARTIR DE VIVÊNCIAS agrupa os textos que ancoram as narrativas produzidas nas vivências experienciadas neste projeto.

Em Estereótipos sobre as mulheres: apontamentos para uma abordagem histórica, António Nunes mostra como a educação das mulheres, em Portugal e durante os inícios do Estado Novo, acabou por traduzir um conjunto de clichés sobre as mulheres que se têm tornado difíceis de modificar, salientando que o momento narrático ao organizar o não-formal faz emergir o reencontro com a problemática, deslocando-a da periferia para o centro da nossa civilização.

Fátima Veiga, no texto A construção de lideranças num contexto de (in)diferença ao nível do género e da exclusão social, reporta o envolvimento da EAPN Portugal no projeto, salientando os pontos de interesse e de união entre a missão da organização e as temáticas e objetivos centrais do mesmo, nomeadamente a liderança, as questões de género, a pobreza e a exclusão social, e reflete acerca das dinâmicas vivenciadas nos workshops, evidenciando os testemunhos de várias participantes.

No texto Reflexões sobre Lideranças Partilhadas: um projeto que conheci e vivi, Ionut Cosmin Nadă propõe-se a apresentar uma visão diferente sobre o projeto por pertencer a um simples participante nas atividades e por apresentar um olhar do exterior, mas não distante ou pouco envolvido. Faz ainda uma curta radiografia de Portugal, através de um aparelho de fabricação estrangeira, conferindo uma visão outra sobre o país, mas em sintonia com os objetivos do projeto.

Em Voos Sustentados, Filipa Júlio, jornalista de profissão, responde ao desafio de descrever, com um olhar jornalístico, a implementação do projeto Lideranças Partilhadas na Semente de Futuro, uma das parcerias rurais do projeto. Aceitado o repto, usa a caneta e o papel em branco para viajar um pouco pelas experiências partilhadas por algumas das intervenientes, entre outras pelas duas dinamizadoras Ana Maria Braga da Cruz e Bonina Brandão.

Por último, no texto Das motivações às apreciações. Aprendizagens pela conversa na literacia para a igualdade de género, qualidade de vida e lideranças partilhadas, Raquel Ribeiro e Cláudia Múrias debruçam-se sobre as motivações e apreciações das 248 pessoas participantes nos workshops, para discutir o contributo do projeto na promoção de literacia para a igualdade de género, qualidade de vida e lideranças partilhadas.

Os nossos agradecimentos dirigem-se a autoras e autores que aqui estão presentes com a palavra escrita, mas também a todas e todos que participaram com as suas vozes e os seus silêncios nas Conversas, que constituíram o contexto onde se pode questionar práticas e ir reinventando formas outras de agir.

Um especial agradecimento às autoras do prefácio, Luiza Cortesão, Presidente do Instituto Paulo Freire de Portugal (IPFP), e do posfácio, Helena Costa Araújo, Diretora do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP). Sem estas parcerias de primeira hora, este projeto não teria tomado o rumo que tomou. (Múrias & Koning, 2012: 11-14)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Inauguração de Loja Solidária na Lixa

Decorrente da participação de Aurora Silva, docente na Universidade Sénior Ocupacional da Lixa (USOL), como dinamizadora inicial no nosso projeto foi inaugurada a Loja Solidária USOL no passado dia 4 de Dezembro, na Casa do Povo da Lixa. Este espaço, que funcionará todos os sábados à tarde, vai comercializar todo o tipo de bens não perecíveis, isto é, roupas para homem, senhora e criança, sapatos, bijutaria, acessórios de moda, acessórios de cozinha e electrodomésticos. Os produtos, que podem ser oferecidos à iniciativa por todas as pessoas, serão vendidos a preços solidários, revertendo as receitas para a acção social da Casa do Povo da Lixa. Em termos práticos, é possível, a qualquer cidadão ou cidadã, ofertar e adquirir bens na Loja Solidária, inclusive, em simultâneo.

Esta iniciativa é o corolário da actividade da docente Aurora Silva e de um grupo de cerca de 20 estudantes que frequentaram a disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Relaxamento da Universidade Sénior Ocupacional da Lixa e/ou participaram no workshop de sensibilização Partilhar Lideranças nos Espaços Público e Privado, corporizando um Percurso de Literacia. Este percurso pretendeu ir ao encontro das necessidades da população da Lixa, introduzindo uma perspectiva de empoderamento da comunidade e de lideranças partilhadas e participadas na gestão do bem comum.

Deixamos um breve registo feito, pelo Porto Canal, aquando da inauguração da loja. Veja-o aqui.



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Workshop ‘Aprendizagem pela Conversa na Literacia para a Igualdade de Género’



“A igualdade na conversa não é um dado – é uma conquista, porque também a conversa
pode exprimir um poder que se faz tão insistente que mata a própria conversa.”
(Pintasilgo, 2005: 215)

“Ela tem a noção de que na conversa se desfazem ideias feitas e só se sente satisfeita quando
vê que do outro lado também caem barreiras. Na conversa circulam ideias, muitos factos
simples ou questões complexas, pensamentos e modos de sentir (…)”. (Pintasilgo, 2005:216)

Continuando o itinerário que temos vindo a percorrer com a/os dinamizadores/as iniciais, realizou-se, no dia 10 de Novembro, o workshop que permitiu, a todas as pessoas envolvidas nesta fase inicial do projecto, abordar e experienciar a metodologia da aprendizagem pela conversa.

Em conjunto, criou-se, de uma forma estruturada, um espaço fluído de conversa entre pares. Ficam aqui alguns registos de momentos que se viveram!






















quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Workshop "Comunicacion Autentica"

O workshop "Comunicacion Autentica" permitiu aos/às participantes o contacto com um método de escutar e falar, onde a comunicação é clara, parte da ligação com a própria pessoa e com as outras, sem julgamentos, com compaixão e com base na responsabilização perante os seus próprios desejos e necessidades.


A Comunicação Autêntica tem por base os quatro passos do modelo de comunicação não violenta, desenvolvido pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg: Observar; Reconhecer sentimentos; Reconhecer necessidades; Pedir.

Este workshop está incluído na primeira etapa do projecto (Estruturação dos Percursos de Literacia), e surge no seguimento de outras sessões de trabalho já realizadas com os/as dinamizadores/as iniciais.

Apresentamos agora, algumas fotografias que registam os momentos vividos no workshop, dinamizado por Jeannette Claessen, que decorreu no dia 2 de Outubro.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Jeannette Claessen: criar vínculos com as equipas do projecto e de dinamização



Estudou Antropologia e Serviço Social, especializando-se na área de Trabalho com Jovens. Durante mais de 15 anos, trabalhou na área da Cooperação para o Desenvolvimento. Em 1995, mudou a sua trajectória profissional, centrando-se nas áreas da comunicação, dos processos de desenvolvimento pessoal e do trabalho social em bairros desfavorecidos. Na mesma altura, começou a estudar Arte e Escultura. Sobre a orientação de The Heart Academy, completou a sua formação vocacional e profissional em Psicologia e Espiritualidade. Em 2000, partindo da sua experiência, cria a sua própria empresa MOSAICA (significando Trabalho de Musas) corporizando um conceito único de formação individual e de grupos, no qual combina o desenvolvimento de competências ao nível espiritual, artístico e psicológico. A palavra-chave que define a filosofia de MOSAICA é ligar ou vincular - criar vínculos entre o que se pensa e sente; entre o passado, o presente e o futuro; entre o espaço em que nos sentimos em casa e o resto do mundo; entre a nossa própria vida e a vida dos outros. O mundo actual caracteriza-se por uma grande divisão, especialização e individualização que impede que nos apercebamos da interdependência de tudo o que existe. Esta falta de visão, leva-nos a perder o contacto connosco próprios em detrimento da relação com o mundo que nos rodeia. Os programas propostos em MOSAICA têm como finalidade o contacto dos participantes com esta interdependência, da qual fazem parte, promovendo o reencontro com a sensação de unidade.