segunda-feira, 11 de abril de 2011
4º Workshop na ESE, 8 de Abril
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Um Percurso de Literacia com a EAPN Portugal em Esposende
Decorrente da participação de Isabel Amorim e Fátima Veiga no workshop realizado em parceria pela Fundação Cuidar o Futuro e a EAPN Portugal, em Dezembro de 2010, em Vila Verde, foi delineado um Percurso de Literacia conjunto para fortalecer a EAPN Portugal na intervenção sobre a igualdade de género. Priorizados os interesses institucionais, optou-se pela organização de um workshop dentro da tipologia de "Promover a qualidade de vida pela igualdade de género" aberto às redes de colaboração do Núcleo Distrital de Braga da EAPN Portugal e orientado para necessidades destas instituições.
Também em conjunto, foram definidos os objectivos para este workshop:
Promover um processo de reflexão sobre representações, discursos e práticas de intervenção em torno das lideranças emergentes em contextos profissionais, comunitários e familiares;
Promover a construção de uma rede de mediadores/as socioculturais, multiplicadores/as de percursos de sensibilização para a igualdade de género e a qualidade de vida através de lideranças partilhadas.
Os textos-desafio foram seleccionados pelas técnicas da EAPN Portugal dentro das opções oferecidas pelo livro Rede Mulheres 25 Anos Depois:
Poder – Energia para a Acção
Muitas vezes o poder está disponível para gerirmos esse poder, para podermos agarrar nele e dele tirar o melhor rendimento, para podermos fazer ou inventar algo de novo. E não é mal nenhum pensar que esse sentido do nosso próprio poder nos fornece energia para a acção.
Muitas vezes não agimos porque, sobretudo nós enquanto mulheres, ainda lidamos mal com o poder.
Quando falo na questão do poder, vou ainda mais longe. É que uma parte integral da acção para uma mudança política – essa mudança que pode tornar as pessoas capazes de outra vida, ao menos com condições mais felizes – é uma redefinição do nosso «eu»: quem sou e como vivo em relação às coisas, aos objectos, em relação ao tempo, em relação ao poder. E nós, mulheres, temos que fazer para nós próprias essa redefinição (Pintasilgo, 1982 , citada em Koning, 2005: 26).
Tem que haver um processo interior
Eu posso agora falar da minha experiência, talvez seja contrária, dado que as vossas experiências são de sucesso. A primeira experiência que tive de liderança, eu estava à frente de um grupo de miúdas dos dez aos catorze, quando eu tinha dezanove anos. E acho que foi uma péssima experiência de liderança da minha parte. Claro que por um lado senti-me abafada pelas outras que estavam a liderar comigo. Depois sentia que havia uma certa falta de maturidade, de auto-conhecimento meu, e uma certa incapacidade de tomada de decisão… sendo que, ora deixava muita coisa a andar, ora de repente surgia em mim um autoritarismo para controlar a situação, que já estava descontrolada. E havia também uma certa incapacidade… por um lado, eu sentia que tinha um lado de humanização, de preocupação para com as miúdas, e para com o grupo que eu tinha à frente… mas também uma certa incapacidade de transmitir essa afectividade, com as dificuldades de gerir a autoridade, a afectividade, sem saber muito bem como geria as duas coisas.
Mas foi a única experiência de liderança que tive, em que estive à frente de qualquer coisa! Depois disso nunca mais estive à frente de nada.
De facto, as mulheres que eu vi como líderes, que… o género de liderança que eu gostei muito, daquelas pessoas sobre mim, foram aquelas mulheres, de facto - ou homens, tanto faz – que acreditaram em mim, e que puxaram pelas minhas potencialidades, e que, no fundo através do acreditar em mim, fizeram que eu acreditasse em mim própria. Sendo que eu acho que não basta só uma pessoa acreditar em nós… Tem que haver um processo interior de conscientização, de auto-consciência, de auto-conhecimento, de maturação, para que a pessoa, se não é confiante, se não tem essas características de líder, que eu acho que não tenho, para surgir essa auto-confiança e essa capacidade de… se calhar de tomar decisões, e é aí, é na vida pessoal, é na vida profissional, é em todo o sítio!
A cidade de Esposende foi o local escolhido para a realização do workshop, que contou com a cooperação da Câmara Municipal de Esposende na captação de participantes e na cedência do espaço, a Casa da Juventude. A dinamização ficou a cargo de Cláudia Múrias, coordenadora do projecto.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Construindo Percursos de Literacia com o Núcleo para a Implementação e Promoção da Educação para a Saúde (NIPES) da Escola Secundária Aurélia de Sousa
No âmbito das relações de colaboração estabelecidas entre a Fundação Cuidar O Futuro e a Coordenação da licenciatura em Educação Social da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, foi proposto um convite às instituições que cooperam com a ESE na formação em campo de estudantes, enquanto oportunidade de reconhecimento do trabalho que realizam, retribuição de serviços ao nível da formação contínua de profissionais na comunidade e reforço das relações de cooperação já estabelecidas. O convite consistiu na participação neste projecto, permitindo a construção de Percursos de Literacia com vista a colmatar necessidades sentidas pelas instituições nas temáticas da igualdade de género, da qualidade de vida e da partilha de lideranças.
No seguimento, o Núcleo para a Implementação e Promoção da Educação para a Saúde (NIPES) da Escola Secundária Aurélia de Sousa (ESAS) solicitou a colaboração da equipa do projecto na organização de uma palestra que permitisse abordar questões relacionadas com a área da Educação Sexual nas Escolas, junto de estudantes do 12º ano, nomeadamente: prevenção de maus tratos e aproximação abusiva, consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade na adolescência; estatística sobre a idade das primeiras relações sexuais em Portugal e UE; gravidez, aborto, etc.
Neste sentido, surgiu a Sessão de Trabalho para estudantes de 12º ano "Ser Homem. Ser Mulher. Hoje. Igualdade de Género e Sexualidade na Adolescência", com base na metodologia de Aprendizagem pela Conversa, que decorreu em dois dias diferentes, 30 de Março e 4 de Abril.
Partindo da reflexão desafio sobre o que significa "Ser Pessoa...", "Ser Homem..." e "Ser Mulher..." nas sociedades actuais, conversou-se, tendo-se trabalhado na desconstrução de representações sociais desigualitárias (estereótipos e papéis de género) e na promoção de literacia para uma sexualidade mais igualitária, não violenta, defensora dos direitos humanos e empoderadora da pessoa humana.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Dos Projectos Alternativos de Mulheres aos Projetos Alternativos de Mulheres e Homens
No trabalho desenvolvido encontram-se as raízes das dinâmicas de reflexão e intervenção social que resultaram na concretização do Projeto Literacia para a Igualdade de Género e Qualidade de Vida: Lideranças Partilhadas. E aqui se foi definindo, ao longo de múltiplas e partilhadas trajetórias de reflexão e ação, a necessidade de criação de um espaço onde as pessoas, as ideias e as práticas se pudessem cruzar continuamente para a construção de novos espaços sociais.
Torna-se, portanto, evidente que perante o desafio da revitalização da Espaços, as pessoas envolvidas no projeto agarrassem esta oportunidade para criar a base de sustentação do projeto após o seu término. Assim, as sócias iniciais interessaram-se pelo projeto Lideranças Partilhadas e acabaram por participar nas suas atividades. A equipa técnica do projeto e algumas pessoas da equipa de dinamização interessaram-se pela estória da Espaços, tendo sido propostas para sócias.
Este cruzamento de sinergias e interesses originou na reformulação do nome da Associação Espaços – Projetos Alternativos de Mulheres e Homens, bem como dos seus Estatutos. Assim se repovoou e reorientou estrategicamente a nova ESPAÇOS, plataforma de emergência de projetos alternativos de mulheres e homens comprometidas/os com a resolução criativa e sustentável de problemas sociais, alicerçadas/os na promoção da igualdade.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Comemorando o Dia Internacional das Mulheres na Escola Secundária de Valadares: tertúlia "Ser homem. Ser mulher. Hoje"
Na aprendizagem pela conversa sobre valores, estereótipos e preconceitos de género que surgiu com base nas frases escritas pelo grupo de estudantes do 10º ano no início da tertúlia, pôde-se constatar a percepção de desigualdade de género que algumas raparigas demonstram ter:
terça-feira, 22 de março de 2011
Como viver melhor num mundo em mudança
“Objectos parados, como se os objectos valessem mais do que o uso que nós lhes damos” (Maria de Lourdes Pintasilgo).
“Nós normalmente comemos na cozinha porque temos lareira e comemos perto da lareira, e assim que começamos a ter um pouco mais de dinheiro queremos ter uma casa de jantar e compramos a mesa da casa de jantar, mas como a mesa é só para servir nos dias de festa, então compramos uma toalha bordada que nós já não conseguimos fazer porque não temos tempo – e uma toalha bordada agora lá na aldeia chega a custar 30 contos. Como só serve em tempos e momentos muito especiais, nós naturalmente não queremos estragar a mesa: entre a mesa e a toalha pomos uma flanela e, depois, como não queremos estragar a toalha, por cima da toalha pomos um plástico” (Texto de um grupo de mulheres da Rede na zona de Coimbra publicado na Rede e Nó(s).

No final, foi solicitado a cada participante a realização de um desenho enquanto avaliação das sessões de trabalho. Ficam aqui alguns dos desenhos.