sexta-feira, 10 de junho de 2011

II Oficina Aberta: "Das Políticas às Práticas da Igualdade"‏

As Oficinas Abertas sobre Questões de Género na Sociedade Portuguesa são um projecto da Delegação Regional do Porto da Universidade Aberta e do Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais (CEMRI).



A segunda sessão, intitulada Das Políticas às Práticas de Igualdade, pretendeu enquadrar a acção desenvolvida pelas associações da sociedade civil na estratégia nacional de promoção da Igualdade, tendo sido organizada com a colaboração do Gabinete da Secretária de Estado da Igualdade, do XVIII Governo Constitucional de Portugal e da Fundação Cuidar O Futuro.



João Pereira apresentou a estratégia nacional, numa comunicação intitulada Políticas Públicas para a Igualdade e Não Discriminação, e Cláudia Múrias apresentou os contributos do projecto de intervenção promovido pela Fundação Cuidar O Futuro na comunicação Lideranças Partilhadas: Percursos de Literacia para a Igualdade de Género e Qualidade de Vida. Fátima Alves (CEMRI) moderou o debate.



Ficam as imagens:







sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Percursos de Literacia para a Não Violência" no Seminário Internacional "Amor, Medo e Poder"

"No contexto de um frágil e fragmentado movimento feminista, a violência de género e doméstica em Portugal, evoluiu numa lógica top-down, a partir das recomendações da União Europeia e das Nações Unidas. Este contexto político contribuiu para que os serviços para mulheres vítimas sejam mais um produto do papel do Estado, e do respectivo terceiro sector, e não o resultado das pressões dos movimentos sociais. Uma das principais consequências deste contexto tem sido a ausência de vozes das mulheres vítimas e a sua exclusão das dinâmicas dos movimentos sociais". "Embora Gayatri Spivak tenha questionado a possibilidade de os grupos sociais subalternos terem voz e fazerem-se ouvir, o processo de tomar a palavra e pressionar politicamente são importantes dimensões dos movimentos sociais, assim como da sua agência política. No que respeita a violência doméstica e de género, a participação das mulheres sobreviventes demonstrou-se fundamental para evitar o neocolonialismo e o ventriloquismo de algumas concepções de “ajuda à vítima”.

"Vozes, agência e movimentos sociais são fundamentais para a transformação social, quer na sociedade alargada, quer nas relações íntimas".




Para contribuir para a reflexão acerca das respostas sociais às vítimas de violência doméstica, nomeadamente, através de uma intervisão entre activistas e profissionais que trabalham em casas de abrigo e em centros de atendimento, no sentido do apoio mútuo e da partilha de práticas empoderadoras quer de profissionais e activistas, quer das mulheres vítimas, fomos convidadas a apresentar o trabalho que temos vindo a desenvolver no Lideranças Partilhadas, no Seminário Internacional Amor, Medo e Poder, realizado nos dias 30 e 31 de Maio de 2011, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, por Maria José Magalhães, Investigadora Principal do projecto, Presidente da Comissão Organizadora do seminário e Presidente da UMAR.




Ficam aqui algumas ideias apresentadas:



"Eu acho que li isto algures, foi dito por uma feminista: ‘eu não quero que as mulheres tenham mais poder do que os homens, eu quero que elas tenham mais poder sobre si próprias e o seu poder de decisão". O tema é mesmo o respeito pela individualidade e pela singularidade de cada um. Se cada um se respeitar a si e conseguir respeitar o outro, o espaço e a diversidade que acompanha os contextos e as vivências de cada um... Acho que, aí, conseguia-se, realmente, alcançar a igualdade de género. O próprio nome indica, igualdade. Não é ser inferior ou superior a ninguém. É estarmos no mesmo patamar sabendo que realmente há diferenças de género. Há! É homem e é mulher. Também foi feito diferente. Mas é lutar pela igualdade, não é ser superior nem inferior”.



“O conhecimento é também uma forma de poder, e poder de transgredir aquilo que está instituído e portanto… e confundimos muito as coisas com a ordem natural, como se fosse assim, ponto final. E pela conversa, nós percebemos que as coisas não são assim ponto final, porque nos fizeram crer que eram assim. E nesse sentido, há aqui uma acção que pode ser libertadora. E falamos muito na questão… do facto da conversa poder estar associada aos sentimentos, o que é que as pessoas sentem nestas partilhas…”



“Essa liderança partilhada seria, justamente, a possibilidade de todos terem voz através de uma negociação, chegar a consensos em que todos ganham… saber lidar com as emoções. Porque saber lidar com as emoções, também é saber impor limites. É saber perceber, conseguir estar no lugar do outro, perceber o que se passa no outro, perceber a visão do outro e o outro tem que perceber que há limites”.











quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Das Políticas às Práticas da Igualdade" – II Oficinas Abertas






Realizar-se-á na Delegação da Universidade Aberta (UAb) no Porto , no dia 8 de Junho de 2011, pelas 14h30, mais uma Sessão das Oficinas Abertas sobre “Questões de Género na Sociedade Portuguesa", dedicada ao tema: Das Políticas às Práticas de Igualdade.


A iniciativa destina-se a estudantes, técnicos e técnicos superiores, IPSS, organizações não-governamentais e à sociedade civil em geral.





O encontro pretende articular os diferentes saberes implicados na abordagem da temática, desde os conhecimentos científicos produzidos, ao seu enquadramento pelas políticas públicas, passando pela exploração dos discursos oficiais, sem esquecer as perspectivas dos profissionais e das suas organizações bem como os discursos de não profissionais.

O Projecto Literacia para a Igualdade de Género e Qualidade de Vida: Lideranças Partilhadas será apresentado enquanto exemplo de boas práticas na área da Igualdade e Não Discriminação. A organização desta iniciativa constitui um dos Percursos de Literacia e poderá ser inserido no Trabalho em Rede que a Fundação Cuidar O Futuro tem vindo a realizar no norte do país.






A Oficina será transmitida em directo, via web.


Para informações e inscrições, contacte:

Manuela Pinto 300 001 719 mpinto@univ-ab.pt
Delegação da Universidade Aberta no Porto
Rua do Amial nº 752 , 4200-055 Porto

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Romper o manto de silêncio… Acção política necessária?

Decorrido mais um workhop "Introduzir a Igualdade de Género no Reinventar de Lideranças" realizado nos dias 13 e 14 de Maio, na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa, apresentamos, de seguida, pequenas parcelas dos textos propostos como desafio à reflexão entre pares:


"A entrada maciça das mulheres no espaço público tem vindo a ser considerado como uma igualdade de certo modo envenenada, porque as mulheres tiveram de acrescentar às responsabilidades da vida privada (as tarefas domésticas) as profissionais e cívicas. Há um silêncio da sociedade sobre isto, como se nada tivesse acontecido. Todos sabemos a que custo as mulheres o conseguem e as consequências desta sobrecarga na vida de todos. Procura-se assim propostas que enriqueçam a teoria da cultura das mulheres, ao mesmo tempo que se procura apontar para um novo modelo de sociedade".


"As mulheres ainda não conseguiram aceder às instâncias de poder que decidem uma nova organização de Estado. E elas próprias são as primeiras vítimas. A reorganização e regulação do mercado de trabalho são vitais, para que as pessoas possam ter mais tempo. A questão não está em nós sermos capazes de conciliar - porque temos um companheiro porreiro ou uma companheira porreira, e somos capazes de conciliar as coisas uns com os outros - mas que realmente haja transformações ao nível do Estado, porque isso me parece que é um passo ainda mais importante".


Ficam alguns momentos vividos:
































terça-feira, 10 de maio de 2011

A Economia Social e Solidária na resposta à crise: pelos caminhos da Igualdade para uma Competitividade Integrada

O projecto Literacia para a Igualdade de Género e a Qualidade de Vida: Lideranças Partilhada foi convidado a participar no Seminário A Economia Social e Solidária na resposta à crise: pelos caminhos da Igualdade para uma Competitividade Integrada, organizado pelo Gabinete da Secretária de Estado da Igualdade do XVIII Governo Constitucional de Portugal, pela CIG, pelo Mestrado de Economia Social e Solidária do ISCTE e pela Animar.

O convite consistiu na apresentação do nosso projecto enquanto exemplo prático de resposta estruturada à crise, uma vez que este tem por finalidade mobilizar a sociedade civil no empoderamento da comunidade e desenvolver um olhar crítico na reformulação de lideranças, introduzindo a perspectiva da igualdade de género na abordagem ao desenvolvimento e à qualidade de vida das populações. Desenvolvido no Norte do país, o projecto tem como objectivo a construção de Percursos de Literacia, com base na participação de líderes locais, profissionais de intervenção socioeducativa e em lugares de tomada de decisão e de cidadãos e cidadãs, em acções de sensibilização com metodologia de aprendizagem pela conversa sobre igualdade de género, qualidade de vida e partilha de lideranças, e na realização de um trabalho autónomo para a concretização de um Produto do Projecto.

Pela aprendizagem pela conversa espera-se proporcionar um espaço onde as pessoas encontrem a possibilidade de “abrandar”, discutir e reflectir sobre as suas experiências. Conversar com o objectivo de “encontrar novos sentidos” e “deixar emergir novos conhecimentos” para promover práticas inovadoras:
. Contar para formular ideas e reconhecer motivações, intenções, objectivos e resultados;
. Problematizar, a história contada, para analisar o seu contexto político-cultural regulador ou emancipador;
. Formular alternativas para perspectivar a acção.

Com um Trabalho em rede, consubstancia-se o reforço e o estabelecimento de redes associativas informais e parcerias institucionais.

Desta forma, segundo o pensamento do Professor Rogério Roque Amaro, somos representantes de uma Economia social e solidária, que permite dar uma Resposta de Continuidade à crise, valorizando a democracia interna, aberta e participativa, enquanto alternativa sustentável, emancipadora e ao encontro da Vida: a Competitividade Integrada!

Excerto da Intervenção de Rogério Roque Amaro, vídeo de autoria de Carlos Ribeiro, Caixa de Mitos












O Seminário foi seguido de debate, como se pode observar nas seguintes fotografias da autoria de Carlos Ribeiro, Caixa de Mitos: